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Os tambores da guerra: um mundo preso no atoleiro

  Há pouco mais de um século, a Europa descobriu da pior maneira possível que entrar em uma guerra pode ser muito mais fácil do que sair dela. Na Primeira Guerra Mundial, depois da movimentação inicial dos exércitos, grande parte da Frente Ocidental transformou-se em um gigantesco atoleiro. Franceses, britânicos e alemães ficaram presos durante anos em sistemas de trincheiras que atravessavam a França e a Bélgica. Milhões de homens morreram para conquistar, perder e reconquistar poucos quilômetros de terreno. Enquanto os soldados afundavam literalmente na lama, os impérios começavam a afundar politicamente. O Império Russo entrou em colapso e a Revolução de 1917 abriu caminho para a formação da União Soviética. O Império Alemão desapareceu. O Império Austro-Húngaro se desintegrou. A velha ordem europeia, que imaginava controlar a guerra iniciada em 1914, terminou destruída por ela. As cortes, os generais e os governos que acreditavam administrar uma guerra limitada descobriram tard...

Mensalão: quanto mais eu revisito o caso, mais dúvidas aparecem

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  Durante muitos anos, a palavra “ Mensalão ” foi repetida como se seu significado fosse evidente para todo mundo: o governo Lula teria montado um gigantesco esquema para pagar mensalmente deputados em troca de votos no Congresso. Resolvi voltar ao assunto e fazer algumas perguntas simples. Quanto dinheiro foi movimentado? Quem recebeu? Que votação foi comprada? Qual projeto só foi aprovado graças aos parlamentares pagos? Quanto mais fui atrás dessas respostas, mais percebi que a história é muito mais complexa do que aquela que ficou no imaginário popular. De onde vieram os R$ 55 milhões? Um dos números mais associados ao Mensalão é aproximadamente R$ 55 milhões . Mas é importante entender o que esse número representa. A CPMI dos Correios encontrou na documentação relacionada a Marcos Valério uma rubrica denominada “Empréstimo PT”, que registrava aproximadamente R$ 55,9 milhões . Delúbio Soares e Marcos Valério também falaram de aproximadamente R$ 55 milhões obtidos por meio de op...

The Challenges of the United States: Inequality, Democracy, and the Future of the Dollar

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For decades, the United States has represented the image of economic success, innovation, and global leadership. Silicon Valley, Wall Street, world-class universities, and the strength of the dollar have made America the symbol of modern capitalism. However, behind this image of power, a deeper question is emerging: is the American model capable of maintaining prosperity while dealing with growing inequality, political division, and economic imbalances? The United States is not a poor country. It is one of the richest nations in history. The challenge is not the lack of wealth, but how that wealth is distributed and how the political system responds to new social realities. The Hidden Cost of American Prosperity Since the 1980s, the American economy has undergone profound transformations. Globalization, technological advances, and financial expansion created enormous wealth, but the gains were not equally shared. Millions of Americans benefited from innovation and new industries. At th...

O Prêmio Nobel da Morte

O anúncio do Prêmio Nobel da Paz de 2025 , concedido à política venezuelana María Corina Machado , despertou uma onda de perplexidade e controvérsia em círculos acadêmicos, diplomáticos e jornalísticos. Ao laurear uma figura identificada com o discurso de “mudança de regime” e com apelos explícitos à intervenção estrangeira, o Comitê Norueguês do Nobel reforça a percepção de que a premiação — outrora símbolo de diplomacia moral — tornou-se um instrumento de legitimação geopolítica. O presente artigo propõe uma leitura crítica desse episódio, compreendendo-o como parte de um processo de reconfiguração simbólica do imperialismo contemporâneo , no qual a retórica da paz é instrumentalizada para sustentar projetos de dominação econômica e política na América do Sul. 1. O contexto político da laureada María Corina Machado, ex-deputada e uma das principais líderes opositoras ao governo venezuelano, consolidou-se como porta-voz de um liberalismo radical, alinhado aos interesses estratég...

O Brasil, o Dólar e o BRICS: Uma Nova Rota no Comércio Internacional?

O Brasil, o Dólar e o BRICS O Brasil, o Dólar e o BRICS: Uma Nova Rota no Comércio Internacional? Publicado em 21 de julho de 2025 Por Jorge Nunes 📌 Introdução Nos últimos dias, um intenso debate tomou conta dos grupos de conversa e redes sociais: o Brasil deveria continuar usando o dólar como principal moeda nas transações internacionais? Ou está na hora de caminhar com os países do BRICS para fortalecer moedas locais e reduzir a dependência da moeda americana? Neste post, vamos esclarecer os pontos centrais desse debate, com fontes, fatos históricos e análises de especialistas, explicando o que está em jogo nessa possível mudança de paradigma econômico. 💵 Por que o dólar domina o comércio internacional? O domínio do dólar vem desde o Acordo de Bretton Woods (1944) , que estabeleceu o dólar como principal moeda de referência internacional, atrelado ao ouro. Esse sistema acabou oficialmente em 1971, quando os EUA romperam a pa...

Carta Aberta: A Importância da Bomba Atômica Brasileira

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Translator   Vivemos um momento de crescente instabilidade na governança global. As instituições internacionais, outrora criadas para garantir equilíbrio e respeito às normas entre as nações, estão sendo frequentemente desacreditadas — muitas vezes, pelas próprias potências que as instituíram. A quebra recorrente das regras por parte das grandes potências ocidentais levanta uma reflexão inevitável: em um mundo cada vez mais volátil, quais ferramentas restam aos países do Sul Global para garantir sua soberania e segurança? O Brasil, maior nação da América do Sul em território, população e recursos natu...

A guerra dos 12 dias e o duplo padrão ocidental no Oriente Médio

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  Então acabou a guerra dos 12 dias. Foi assim que Donald Trump, com sua habitual concisão marqueteira, apelidou o recente conflito entre Israel e Irã — uma guerra breve, intensa e revestida de simbolismos. Mas, como de costume, o que menos aparece nas manchetes é o pano de fundo, o tabuleiro geopolítico onde se joga essa partida brutal. A mídia ocidental, sempre pronta a classificar o Irã como um “regime fundamentalista religioso”, esquece — ou escolhe esquecer — que Israel também é um Estado fundamentado na religião. A autodefinição de Israel como “Estado judeu” não é apenas cultural ou simbólica; ela tem implicações diretas na cidadania, na ocupação territorial e nos direitos civis de milhões de palestinos. A seletividade do discurso é tamanha que poucos lembram de outro episódio carregado de hipocrisia: a Guerra do Golfo de 1991. Naquele momento, os EUA mobilizaram uma coalizão internacional para expulsar Saddam Hussein do Kuwait — um país descrito pela imprensa como um “Esta...